principalmente
« Home | » | ....Hirtocomo pilotis..E também a pele, polida,a m... » | ........in vino veritas.. » | ..... » | .este texto foi encontrado dentro de um livro numa... » | reste:tento o meu último malabarismo, aquele em qu... » | post » | matéria onírica I » | Robert Capa 1935 » | justificando-seou no que se acredita..o Jacinto Lu... »
12.3.06
não desculpo, não há nada para desculpar.
gastei a sola dos pés
trepando esquinas
dobrando espinhas
esfregando roupa alheia
fazendo dia e noite a minha cama
.
.
tu não sabes que nem toda a gente sabe o que quer de amanhã,
tu não sabes que estamos nas coisas com toda a nossa inocência, curiosos, a vasculhar sentidos, a querer saber o que há,
e que depois daqui não sabemos mais nada: é um qualquer respeito intrínseco- e perigoso- que temos pelos tempos das coisas.
tu não sabes que se pode adormecer em qualquer lado, que as piscinas vazias são sítios onde se pode dormir há muito tempo
e que essa graça quer ainda dizer muito pouco, porque a comunhão é o mínimo que podemos exigir-nos.
tu não sabes que todo o amor é o mesmo. que só há um amor,
e que isso é o mesmo que não saber ainda o que se quer de amanhã. e por isso que não vamos a casa uns dos outros para dormirmos uns com os outros, ainda que isso eventualmente aconteça
tu não sabes que de nada serve afugentar o amor que têm por nós, que, sabendo ou não tudo isto, somos responsáveis por aqueles que se nos dedicam.
e que isso não quer dizer que lhes devamos o mesmo amor.
não sabes que nenhum amor se recusa, que recebemos todo o amor que nos querem dar, e que esperamos que recebam todo o amor que não sabemos como não dar
e que isso não quer dizer que nos devam o mesmo amor.
tu não sabes
que nem toda a gente sabe a direcção para onde ama,
que nem toda a gente escolhe onde adormece
Reconhecimento, Bénédicte Houart
|