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6.1.06
Atlântida
Nasço cheia das mémorias de ti. Estou sempre no limite impreciso. Como alguém perturbado por recordações, atravesso a nado todas as casas onde morei, casas sem paredes, corpos sem esqueleto, música sem som. Mundo Morno Que Se Fecha Silenciosamente. E eu estou lá, eu estou no mundo fina e solta, movendo-me com pouco esforço.
Não me lembro de ter frio nem calor. Não me lembro de nenhuma dor provocada pelo frio ou calor - temperatura do sono, sem febre nem arrepio. Não me lembro de amar, de sal algum para além daquele que me embalava em correntes mornas, perpétua carícia. Não me lembro de chorar.
Eram as cidades a ondular à passagem do meu corpo. Do meu sopro. E eu vou. Sem fome nem desejo. Nenhum Sentimento, Só Movimento. Só o movimento de passar para um outro corpo. Outra carne.
O mundo mudo.
E depois, depois era o terror e a alegria de homicídios conseguidos em silêncio.
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