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6.4.06
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............................. Como já vinha sendo habito, trazia-lhe a reflexão que lhe acontecia sempre depois dele nela. eram sempre coisas muito reveladoras, uma espécie de lucidez que a assustava e redimia:
«- “Ler demais embrutece” » normalmente citava os seus antigos amantes, quando as suas palavras tinham chegado a impregnar-se-lhe no corpo e se tinham tornado suas biológicamente. sabia que era feita de quem se lhe atravessou, e que tudo o que se preparava para dizer era consequência do que já lhe fora dito, do que já fora antes de ser esta. e continuava enquanto acendia o cigarro: « - Sabes, acredito ter sido nos livros que aprendi a conceber esta hipótese que agora não consigo declinar como não sendo minha: estar apaixonada por um homem que não está apaixonado por mim e meter-me no seu colo sem estar a submeter-me a nada. Poder dormir com ele sem ser beijada. E assobiar o dia seguinte alegre, sem o menor sentido de injustiça. »
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«- só vejo uma solução pra isso ! não há mais ! não pode continuar! Não pode» - repetia ele o desejo a arder-lhe debaixo da língua os olhos apenas baixos para poder ver as pernas que a tinham encostada à janela
Deveria estar profundamente infeliz. porque o homem que amava não a queria e estava ali a dizê-lo com todas a letras. que já nem o seu corpo queria! e ela estava feliz também, ainda, ou esta situação também lhe servia. saberia fazer dela o melhor que ela pudesse ser assim, ou como quer que fosse
despedia-se. abraçaram-se ainda nus. combinaram ir beber imperiais ao sol e falar dos seus amores vindouros. sabia que esta despedida implicava um mútuo consentimento, implicava nao estar ferida, nada ter perdido. Só queria poder enfurecer-se, chorar, bater com a porta mas a frase ecoava na sua cabeça como que a explica-la antes de si
"e depede-te de Alexandria que te abandona, e despede-te de Alexandria que te abandona"
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