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12.12.05
Xangô
um deserto i.e., umas ruínas do que há de vir; uma cidade; uma qualquer coisa acesa de febre.
um profeta i.e., um homem de mãos demasiado longas; uma mulher de clavículas absurdamente belas; um suspiro feito estrondo (na voz de alguém que passa, e canta); um duche demasiado quente, demasiado cedo (que devolve um sonho); um louco.
O profeta bebe a sua palavra para se alimentar. Refeito, volta a clamá-la para a dar a comer. Sacia as suas multidões interiores, comendo-as de seguida para as voltar a avisar. Eu já o vi, em espasmos onde contraía todas as palavras e depois os músculos, a gritar nu entre as areias para depois cair derrotado para ser salvo. Certa vez não se salvou. Caiu de joelhos e escondeu a cara. Oiço-o:
Depois de mim virá um homem,
que passou à minha frente, porque existia antes de mim.
A partir daí não mais o discurso/vómito redentor
não mais os pés.
apenas as mãos,
apenas a água
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